A História do Balonismo é a Própria História da Aviação.

Bartolomeu Lourenço de Gusmão, o Pai da Aerostação

Bartolomeu de Gusmão era um padre jesuíta nascido em 1685 na Vila de Santos em São Paulo, no então território português do Brasil que, depois de se matricular na Universidade de Coimbra em 1705, começou aí a desenvolver dois dos seus interesses de há muito, a Matemática e a Física. Segundo se sabe, a observação de uma bola de sabão elevando-se ao se aproximar do ar quente ao redor da chama de uma vela, inspirou-lhe a concepção de um balão e o desenvolvimento de estudos na área da aerostação.

Na sequência dos seus estudos em aerostação, no ano de 1708, Bartolomeu de Gusmão pede ao Rei de Portugal, D. João V, uma petição de privilégio para o que chamou o seu "instrumento de andar pelo ar"– que se revelaria ser, mais tarde, o que hoje se conhece por “aeróstato” ou “balão” –, concedido no dia 19 de abril de 1709. Além do privilégio, D. João V decide passar a financiar o projeto de desenvolvimento e construção do aparelho. Bartolomeu de Gusmão dedica-se então por inteiro ao projeto, que é desenvolvido na Quinta do Duque de Aveiro em S. Sebastião da Pedreira (Lisboa).

Em 03 de agosto de 1709 foi realizada a primeira tentativa na Sala de Audiência do Palácio. No entanto, o pequeno balão de papel aquecido por uma chama incendiou-se antes ainda de alçar vôo. Dois dias mais tarde, uma nova tentativa deu resultado: o balão subiu cerca de 20 palmos, para verdadeiro espanto dos presentes. Assustados com a possibilidade de um incêndio, os criados do Palácio se lançaram contra o engenho antes que este chegasse ao teto.

Três dias mais tarde, exatamente no dia 08 de agosto de 1709, foi feita a terceira experiência, agora no pátio da Casa da Índia, perante uma importante assistência presente na Sala dos Embaixadores da Casa da Índia, que incluía o Rei, a Rainha, o Núncio Apostólico (Cardeal Conti, mais tarde Papa Inocêncio XIII), bem como outros importantes elementos do Corpo Diplomático e da Corte Portuguesa. Desta vez, sucesso absoluto. O balão ergue-se lentamente, indo cair, uma vez esgotada sua chama, no terreiro. Havia sido construído o primeiro engenho mais leve que o ar. O Rei ficou tão impressionado que concedeu a Gusmão o direito sobre toda e qualquer nave voadora desde então. E para todos aqueles que ousassem interferir ou copiar-lhes as idéias, a pena seria a morte.

Depois da espetacular demonstração, Bartolomeu de Gusmão inicia o desenvolvimento de uma versão tripulada e maior do seu balão. Esse desenvolvimento vem culminar num balão de enormes dimensões batizado de Passarola. O enorme balão é lançado da Praça de Armas do Castelo de S. Jorge em Lisboa, tripulado provavelmente pelo seu próprio inventor, e faz uma viagem de cerca de 1 Km, vindo aterrar no Terreiro do Paço.

Com a Passarola, Bartolomeu de Gusmão torna-se assim um dos mais importantes pioneiros da aeronáutica mundial, ficando conhecido como "o Padre Voador".

A Passarola

Descrições sugerem que o invento do Padre teria sido chamada de Passarola, em razão de ter a forma de um pássaro, crivado de multiplicados tubos, pelos quais coava o vento e a encher um bojo que lhe dava a ascensão, e, se o vento minguasse, conseguia-se o mesmo efeito, mediante uma série de foles dispostos dentro da tramóia.

As primeiras ilustrações da Passarola teriam sido elaboradas pelo filho primogênito do 3º Marquês de Fontes, D. Joaquim Francisco de Sá Almeida e Menezes, com a conivência de Bartolomeu. O futuro 8º Conde de Penaguião contava 14 anos em 1709 e era, então, aluno de matemática do padre, sendo a única pessoa à qual ele permitia livre acesso ao recinto em que o engenho voador era guardado. Como o rapaz vivesse assediado por curiosos, que constantemente lhe faziam indagações acerca da invenção, resolveu ele, para parar de ser importunado, elaborar o exótico desenho da Passarola, em que tudo era propositadamente falseado. E para preservar o verdadeiro princípio da invenção – o Princípio de Arquimedes –, atribuiu a ascensão da engenhoca ao magnetismo, então a resposta para quase todos os mistérios científicos. Esperava dessa maneira melhor proteger o segredo confiado à sua guarda e ainda ludibriar os bisbilhoteiros. Comunicou o plano a Bartolomeu, que o aprovou, e fingiu deixar o desenho escapar por descuido. A Passarola, inspirada ao que parece na fauna fabulosa de algumas lendas do Brasil, foi rapidamente copiada pelos primeiros que a apanharam, logo se espalhando pela Europa em várias versões, para grande riso dos dois embusteiros.

Toda essa trama seria descoberta anos depois por um autor italiano, Pier Jacopo Martello [1625 – 1727], e revelada por ele na edição póstuma do livro Versi e prose de 1729, em que fazia um longo e meticuloso histórico das tentativas do homem para voar, das mais antigas às mais recentes daquele tempo.

Enfim, o desenho mais conhecido da Passarola não deve passar de uma especulação, feita por um autor que nunca observou o aparelho original.

Apesar de existirem descrições e desenhos da época, não se sabe hoje em dia quais as exatas características técnicas da Passarola, devido à perda dos projetos e documentos originais e ao desconhecimento dos autores da época em questões de ciência aeronáutica. Sabe-se apenas que era um aeróstato a ar quente, aquecido através de uma fonte de ignição instalada numa barca sob o aparelho. Tecnicamente devia ter as características dos atuais balões de ar quente.

 

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